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Hemille HoraFisioterapia Pélvica

SOP: exercício, saúde pélvica e queixas que merecem avaliação

A fisioterapia não trata a SOP, mas orienta o exercício, uma das bases do manejo, e cuida de queixas pélvicas que podem coexistir com a síndrome.

Hemille Hora6 min de leitura
Mulher jovem em ambiente acolhedor, representando o cuidado com o exercício e a saúde pélvica na síndrome dos ovários policísticos

A síndrome dos ovários policísticos, conhecida pela sigla SOP, é uma das condições endócrinas mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva. Quando se fala nela, o foco costuma estar nos ciclos irregulares, na dificuldade para engravidar, na acne e no ganho de peso. Menos discutido é o papel do movimento e do cuidado com o corpo no dia a dia, e o que fazer quando, além da SOP, existem queixas pélvicas como dor na relação, constipação ou escape de urina.

A fisioterapia pélvica não trata a SOP, que é uma condição de acompanhamento médico e nutricional. O que ela oferece é a prescrição de exercício físico adaptado, uma das medidas com maior respaldo no manejo da síndrome, e a avaliação de queixas pélvicas que podem coexistir com ela. Neste artigo, explicamos o que se sabe sobre essa relação, o que a fisioterapia pode e o que não pode fazer, e quando vale procurar uma avaliação.

O que é a síndrome dos ovários policísticos

A SOP é um distúrbio hormonal caracterizado por uma combinação de ciclos menstruais irregulares ou ausentes, sinais de excesso de hormônios androgênicos, como acne e aumento de pelos, e ovários com aspecto policístico ao ultrassom. Nem toda mulher apresenta os três critérios, e a intensidade dos sintomas varia muito. O diagnóstico é médico e exclui outras causas.

A síndrome está frequentemente associada à resistência à insulina, ao ganho de peso, a alterações do humor, à ansiedade e a um estado de inflamação de baixo grau no organismo. É por isso que as diretrizes internacionais colocam a mudança de estilo de vida, com exercício regular e alimentação orientada, como base do tratamento, ao lado das medicações que o médico pode indicar.

SOP e dor pélvica: o que se sabe e o que não se sabe

É importante dizer com clareza: a SOP não é considerada uma causa direta de dor pélvica crônica. Os pequenos folículos que dão o aspecto "policístico" ao ovário em geral não doem, e a síndrome cursa com ovulação irregular ou ausente, não com ovulação dolorosa. Sangramentos anovulatórios podem ser volumosos e desorganizados, mas não costumam ser mais dolorosos do que os ciclos regulares.

Quando uma mulher com SOP sente dor pélvica, dor na relação ou alterações intestinais e urinárias, o mais provável é que exista outra condição associada. As mais comuns são a endometriose, a síndrome do intestino irritável, a constipação crônica e a disfunção do assoalho pélvico. Todas podem coexistir com a SOP, e nenhuma delas é explicada por ela.

Por isso, a investigação médica é o primeiro passo. A fisioterapia pélvica entra quando a avaliação identifica um componente muscular ou funcional: músculos do assoalho pélvico com dificuldade para relaxar, dor ao toque, esforço para evacuar, escape de urina ou dor na relação. Isso não é exclusivo da SOP, mas, quando está presente, tem tratamento.

O que a fisioterapia pode fazer por quem tem SOP

O trabalho começa com uma avaliação completa: sua história com a síndrome, os tratamentos em uso, o comportamento do seu ciclo, o funcionamento da bexiga e do intestino, sua rotina de atividade física e como você se relaciona com o seu corpo. A avaliação física inclui postura, respiração, mobilidade e, com o seu consentimento, o assoalho pélvico. A partir daí, os focos possíveis são:

Exercício físico como parte do tratamento

A atividade física regular é uma das recomendações centrais das diretrizes de SOP, com efeitos sobre a resistência à insulina, o peso, o humor e a regularidade dos ciclos. A recomendação geral para adultas é de pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada, incluindo exercícios de força. O papel da fisioterapeuta é transformar essa recomendação em um plano que caiba na sua vida e que respeite o seu assoalho pélvico: escolher modalidades, progredir a intensidade com segurança e ajustar a técnica para que o treino não provoque escape de urina, dor ou sensação de peso.

Avaliação e tratamento de queixas pélvicas associadas

Se a avaliação encontra tensão do assoalho pélvico, dor ao toque ou dificuldade de relaxamento, o tratamento segue o mesmo caminho usado para qualquer mulher com esse quadro: técnicas manuais, reeducação da respiração e do relaxamento, exercícios específicos e, quando há pontos dolorosos, tratamento dirigido a eles. A dor na relação, quando presente, é cuidada com a mesma abordagem gradual e respeitosa descrita nos outros artigos deste site.

Cuidado da função intestinal e urinária

Constipação e distensão abdominal são queixas frequentes em mulheres com SOP, muitas vezes ligadas à alimentação, ao sedentarismo e ao estresse. A fisioterapia orienta postura no vaso sanitário, hábitos de evacuação, hidratação e técnicas para esvaziar a bexiga e o intestino sem esforço. Tratar a constipação também protege o assoalho pélvico do esforço repetido.

Manejo da cólica menstrual

Quando há dor menstrual, recursos como o TENS, calor local, mobilidade e exercícios específicos ajudam a atravessar os dias de cólica com mais conforto. Se a cólica é intensa ou incapacitante, isso é sinal para investigar outras causas com o ginecologista, e não um sintoma que se deva atribuir à SOP.

Respiração, relaxamento e manejo do estresse

A ansiedade é frequente em mulheres com SOP e, em muitas pessoas, se traduz em tensão do diafragma, do abdômen e do assoalho pélvico. Aprender a respirar de forma diafragmática e a soltar a musculatura ao longo do dia é uma ferramenta simples, que complementa o acompanhamento psicológico quando ele é necessário.

SOP, saúde sexual e imagem corporal

A SOP afeta a forma como muitas mulheres se sentem em relação ao próprio corpo. Acne, pelos, oscilações de peso e alterações de humor impactam a autoestima e o desejo. Quando a isso se soma dor ou desconforto na relação sexual, a intimidade se torna um campo de insegurança.

A fisioterapia pélvica trata a dor de origem muscular, quando ela existe, e o trabalho de consciência corporal, respiração e relaxamento ajuda a reconstruir uma relação mais positiva com a pelve. Em conjunto com o acompanhamento psicológico, quando indicado, ele contribui para uma vida sexual mais confortável.

Quando procurar a fisioterapia pélvica

Se você tem diagnóstico de SOP e percebe algum dos sinais abaixo, vale conversar com o seu médico e agendar uma avaliação:

  • Quer começar ou retomar exercícios com segurança e não sabe por onde começar;
  • Sente escape de urina, peso na região íntima ou dor ao se exercitar;
  • Dor ou desconforto na relação sexual;
  • Constipação, esforço para evacuar ou sensação de esvaziamento incompleto;
  • Dor pélvica frequente, mesmo fora do período menstrual, já em investigação médica;
  • Tensão constante na região do abdômen, do quadril ou da lombar.

Rotina, calor e movimento em Salvador

Viver em Salvador oferece boas oportunidades de movimento ao ar livre, o que é um aliado importante no manejo da SOP. Caminhar na orla no início da manhã ou no fim da tarde, nadar, dançar e praticar exercícios de força são atividades que combinam bem com o cuidado do assoalho pélvico. O calor pede atenção à hidratação, especialmente para quem tem tendência à constipação e a infecções urinárias.

Perguntas frequentes sobre SOP e fisioterapia pélvica

A fisioterapia pélvica regula o ciclo menstrual?

Não diretamente. A regulação do ciclo depende do tratamento médico e de mudanças de estilo de vida. A fisioterapia contribui ao facilitar a prática regular de exercícios, que é uma das medidas com efeito sobre o ciclo.

Tenho SOP e dor na relação. É por causa da SOP?

Provavelmente não de forma direta. Quando existe, a dor na relação costuma envolver tensão do assoalho pélvico, ressecamento ou fatores emocionais, e cada um desses componentes pode ser avaliado e cuidado, em conjunto com o ginecologista.

Estou tentando engravidar. A fisioterapia pode ajudar?

A fisioterapia pélvica não trata a infertilidade. O que ela faz é apoiar o exercício regular recomendado nesse período, cuidar de queixas pélvicas que possam existir e preparar o corpo para uma gestação mais confortável. Trabalhamos em diálogo com o seu ginecologista ou especialista em reprodução.

Posso fazer o acompanhamento online?

Sim. A orientação de exercícios, a respiração, o relaxamento e os hábitos intestinais e urinários funcionam bem a distância. A avaliação manual e as técnicas de liberação exigem atendimento presencial em Salvador.

Cuidado integral para o seu corpo

Se você tem SOP e quer se exercitar com segurança, ou convive com dor pélvica, desconforto na relação sexual ou alterações na bexiga e no intestino, saiba que essas queixas merecem avaliação. Atendemos presencialmente em Salvador e também online. Entre em contato pelo WhatsApp para agendar a sua avaliação com Hemille Hora, fisioterapeuta pélvica, e vamos construir juntas um plano de cuidado que faça sentido para a sua vida.

Referências

  • Teede HJ, et al. Recommendations from the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome. 2023.
  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Polycystic ovary syndrome: fact sheet, 2023.
  • ACOG Practice Bulletin No. 194: Polycystic Ovary Syndrome (American College of Obstetricians and Gynecologists, 2018).
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Escrito por

Hemille Hora

Fisioterapeuta pélvica (CREFITO 202560F) com 10 anos de experiência, atuação hospitalar, docente e preceptora. Atende em Salvador BA e online.

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